Mulheres que apitam

As finais do 18º Brasileiro brindaram a semana em que comemoramos o dia internacional das mulheres com estréias. É visível a força delas no Agility, inclusive superando os homens em títulos nas últimas temporadas, segundo levantamento do Fabiano (veja aqui). Porém, em outro ponto a presença delas é muito tímida, na arbitragem.

Vivy Specian ao centro

Oficialmente tinhamos até esse fim de semana apenas duas mulheres no quadro de árbitros, Simone Lessa/SP e Daniela Pereira/RJ. Faz muito tempo que não vejo Simone atuar e Daniela, somado a falta de provas no Rio, também não tenho notícias.

Como colega de arbitragem fiquei muito feliz ao presenciar Vivyane Specian e Marcela Françoso debutando nas pistas dos Iniciantes.

O detalhe é que quem atua há mais tempo sabe como, embora não pareça, é difícil desenhar pistas iniciantes. Ora ficam abertas e rápidas demais, ora oferecem riscos que acabam deixando o pódio vazio. Ambas, ao meu ver, se deram muito bem na estréia, tanto nos desenhos dos percursos como nos julgamentos.

Marcela com o pódio cheio

Parabéns, meninas.

Jenny Damm – Impressões

Onde treino estamos defasados no que há de mais moderno em técnicas para preparar um cão, assim como nas técnicas recentes para melhorar a conduçao, justamente por isso que sempre que há um seminário, tento estar presente. Porém, aqui no Brasil não estamos sozinhos nesse barco. Embora eu não saiba como treinam os condutores de ponta que compõe a nossa seleção, acredito que não o façam nos níveis de detalhes que vi nos seminários de Alen e Jenny. Sinto que os europeus estão, e ficarão por um bom tempo, um passo a nossa frente.
No seminário de Alen assim como nesse, ficou claro que eles estão trabalhando para reduzir décimos de segundos em trajetórias enquanto ainda temos dificuldade para formar a base de um cão. Percebe-se que a formação de um cão já é de domínio de muitos europeus, assim tornou-se necessário encurtar caminho para ter uma dupla de ponta a nível mundial.
O seminário de Jenny é focado em condução e trajetória buscando a perfeição em ambos. O cronômetro é ferramenta essencial para acompanhar todos os exercícios numa espécie de contra-relógio. Estamos ou não estamos defasados?
Um exercício que destaco e ficou claro a eficiência na trajetória do cão, foi o chamado por mim de “catch curve” (ninguém entendeu o verdadeiro nome). O movimento consiste em lançar o cão para o salto e virar o corpo 180° inversamente ao sentido de giro do cão.

Catch Curve - Samy & Théo

Trajetória encurtada

Senti o fato de não estar com minha cachorra nesse exercício, mas pretendo fazer a lição de casa e tentar colocá-lo em prática.

Marcela e Kadú - Catch Curve no Muro

Gostei do fato de Jenny ser incisiva nos movimentos de condução e no tratamento com os cães. Não me venham com aquela história de que você não deve reprender o cão, veja bem, não estamos falando de violência verbal ou física, mas sim de deixar claro para o cão quem manda e o que você quer. Ela sempre nos lembrava: “You are the Boss!”.
O seminário foi para nível avançado e lamento que alguns de nossos condutores de ponta não tenham participado. Talvez já seja de conhecimento deles…
Novamente fico com aquela sensação de que é pouco tempo frente a todo conhecimento que ela poderia nos passar. Num exercício mental, um coach desse porte certamente revolucionaria uma seleção como a nossa sabendo que temos cães e condutores de ótimo nível.

Tiago, Eu, Jenny e Dan - Obrigado pela oportunidade!

Parabéns ao Dan e família DW pela iniciativa, coragem e humildade em sempre buscar o que de melhor existe lá fora. Segundo Dan, ela voltará em 2012. Recomendo!