Clima, arbitragem, local e destaques das Seletivas 2012

Não senti o clima tenso e decisivo das Seletivas passada, não ví interesse em buscar uma vaga por parte da grande maioria dos condutores. O clima estava morno, senão frio, como se ninguém estivesse preocupado em ganhar o passaporte.

A primeira classificatória na manhã de sábado mais parecia um Match do que prova oficial, quanto mais Seletivas. Os eliminados saíam sorrindo, sem transparecer a importância que era devida. Eu estava participando da Copa Sérgio de Castro e como espectador das Seletivas, mas ao final tive a impressão de estar acompanhado de muitos nessa mesma condição.

Na segunda os condutores entraram um pouco mais ligados, mas continuavam tranquilos. Penso que os classificados para as finais de domingo saíram mais pelas pistas suaves da tarde que por determinação.

Não sei se a experiência dos que estavam ali permitem tamanha tranquilidade, mas conto nos dedos os sinais de nervosismo e vontade que observei.

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As pistas trabalhadas pelos árbitros me agradaram bastante. Como recomenda a FCI, todas foram fluídas e ofereciam diversas opcões de condução, favorecendo o espetáculo.

Filipe Vilhena trouxe aquilo que já haviam me informado. Pistas fluídas, rápidas, mas que exigem atenção nos vinte obstáculos. Gostei muito porque são pistas que mesmo nos pontos teóricamente mais fáceis não é permitido descuido. Prova disso, foram faltas, refugos e eliminações nos mais variados pontos das pistas.

Eu e Filipe Vilhena, árbitro principal das Seletivas 2012

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O local é muito bom, grama sintética de altíssima qualidade e boa cantina. Com boa divulgação é possível conseguir bom público para lotar a pequena arquibancada. O responsável gosta muito de cães e nos recebeu com muita simpatia. Para etapas do Paulista me parece uma boa pedida, mas para o Brasileiro penso faltar espaço lateral e de estacionamento.

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José Luiz com Dino são figuras carimbadas em provas internacionais, então os destaques vão mesmo para Aurélio, que com muita seriedade conseguiu levar Xena até o pódio, e para Meire, que bateu na trave em outras oportunidades, mas merecidamente conquistou a vaga desse ano. Controlando o nervosismo, será uma forte dupla nos Midis, afinal todos conhecem a qualidade de Pyatã.

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14 respostas em “Clima, arbitragem, local e destaques das Seletivas 2012

  1. Olha Miguel, falando bem a verdade (mesmo que seja a minha verdade), não sei se é porque estou longe do centro do Agility, tenho a sensação de que o Agility Competitivo já FOI uma prática com grandes emoções e dedicações. Pelo menos hoje, não vejo nada disso. Sinto um clima de desmotivação. Acho que a única dos que foram classificados pela seletivas é a Meire que como estreante e “estranha no ninho”, deve ter lutado e comemorado bastante! Hoje já é terça feira e nenhuma mensagem no fórum do AgilityBR foi postada sobre os ganhadores. Bem diferente do que era antigamente.

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  2. Miguel,
    acho muito bom que tenha notado tal descontração. A Copa Sérgio de Castro não se justifica apenas pelas vagas que distribui. Trata-se de uma competição nacional que, a exemplo do Campeonato Brasileiro, distribui 3 vagas para o Mundial, num formato diferente.
    A participação em mundiais é uma aspiração legítima, ainda que não para todos. Uns foram com esse objetivo. Outros talvez apenas para classificar para as finais. Alguns Grau 2, talvez lutaram pelo título. Os Grau 1, a qualificação e ainda aqueles que quiseram apenas participar ou aproveitar a experiência de ser avaliado por um estrangeiro.
    Acho que o Agility comporta bem todo mundo.

    Vívian,
    Não acho possível medir a motivação pela participação no fórum (também entendo que você não tenha se limitado a isso). A minha avaliação é de mudança de mídia. Há tempos o fórum deixou de ser o principal canal de comunicação. Primeiro para os blogs e mais recentemente para as mídias sociais.
    Quanto aos classificados, sou testemunha da comemoração bastente efusiva do Aurélio, da emoção da Meire e tenho certeza que o Zezinho não ficou atrás.

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    • Guilherme, particularmente gosto muito desse formato de competição. Parece que a gente entra mais ligado e com mais vontade do que numa simples etapa de uma competição longa.
      Eu sou um dos G2 que buscou o título da Copa, mas infelizmente não consegui repetir a atuação do ano passado.

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  3. Texto muito bem escrito e refletindo a realidade de nosso agility, como muito bem colocado pela Vivian e respondido politicamente, na qualidade de Coordenador, pelo Guilherme. Mesmo afastado, tenho seguido o agility e sonhado com que ele tivesse evoluído o suficiente para fazer frente ao que se vê em vídeos de agility praticado em outros países. Temos condutores, mas creio que nos faltam cães. O Aurélio com sua experiência conseguiu dominar a Xena, pena que um pouco tarde, já que mesmo andando muito pela sua idade, já não é a mesma (desculpe Val, mas assim é que eu vejo). O Pyatã com Meire, como já destaquei para muitos é atualmente o melhor cão midi do Brasil. A Meire evoluiu muito. Agora, pela própria transmissão on line foi muito fácil perceber o que o Miguel colocou e a Vivian ratificou. De fato, está morno. Será em decorrência de regulamento? Será desmotivação por falta de cães novos? Por certo, não é questão financeira, pois a dificuldade nesse campo sempre existiu. Vejo alguns bastante motivados. Exemplo: Vivy. Outros por iniciativa de seu instrutor (Cãopetição) e outros que sempre serão pelo próprio agility (Miguel e Fabiano). Tenho muita esperança em voltar a vibrar com as disputas do passado como bem lembrou a Vivian.

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    • Edu, muito obrigado pelas palavras.
      Sobre condutores e cães, estava justamente conversando com o Samy sobre isso. A impressão que tenho é que evoluimos muito como condutores para compensar as falhas na preparação e base de nossos cães. Acho que chegou a hora de invertermos isso e prepararmos mais cães independentes, ou seja, que saibam exatamente o que devem fazer. Isso ficou muito claro para mim depois dos três seminários internacionais que participei.

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  4. Eu, particularmente, acho legal que todos saiam sorrindo independente do resultado. Nem que seja fingindo. Quando eu fico triste com uma pista, dou o melhor de mim quando acabo para sair brincando e festejando com a Dory. Ela sempre dá seu melhor, ela merece que eu dê meu melhor também, mesmo quando não é suficiente para obter resultados, espero ser suficiente para manter nós duas nos divertindo muito!

    Mas eu concordo em relação a desmotivação. Eu pessoalmente passei uma frase brutal de desmotivação no agility. Ano passado eu mal treinava, só o mundial e o américas me deram gás, mas fala sério, ter que cruzar o mundo para ter motivação? Não, o esporte devia ser reforçador para nós nos pequenos treinos do dia-a-dia! Mas não é mais assim pra muita gente. Eu estou superando essa fase agora. Mas isso porque mudei meu jeito de ver e lidar com o agility. Se eu, a Dory e o Pypo não nos divertimos nos treinos do dia-a-dia, na DW ou nas provas, não vale a pena!!!

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    • É isso aí, Carol. Claro que queremos resultado porque treinamos para isso, mas independente dele, o mais importante é nos sentirmos bem e fazer a felicidade de nossos cães.

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  5. Amigos

    Difícil não deixar aqui publicamente a minha impressão sobre as seletivas.O nome indica, selecionar, mas o quê e para quê.Selecionar trés duplas com um regulamento que prevê que mesmo que nenhuma se classifique para a final, passam todos para a final, é no minimo selecionar o menos mau de todos.Selecionar para disputar um campeonato do mundo, não é o mesmo que beber uma cerveja, não , é tentar, no minimo, levar uma dupla que esteja á altura de um mundial.Pois bem aqui começa o problema.Será que neste momento temos duplas a esse nível.Não quero com isso dizer que são maus etc etc, apenas penso que a maioria das nossas duplas pararam no tempo.O agility dos últimos anos a nível mundial, não perdoa mais parar os cães em todas as zonas de contato e muito menos as pistas deixam os condutores sempre junto dos cães.Hoje os contatos são feitos a milhão e os cães têm autonomia , coisa que os nossos não têm, sendo extremamente dependentes da presença do seu condutor…Os árbitros desta seletivas, eu incluído, sem terem falado antes sobre esse assunto, apresentaram pistas onde exigiam autonomia do cão em relação ao seu dono e o resultado viu-se.Foram pistas técnicas, mas fluidas, mas onde o conhecimento absoluto do cão sobre abordagem dos obstáculos e a confiança do condutor nessa abordagem era essencial e meus amigos no minimo meteu dó assistir a algumas , muitas conduções.Por favor não me levem a mal, mas é que eu gosto tanto do agility como qualquer um de vocês e ultimamente, assistir a uma prova de agility é no minimo entediante.Falta coragem, talvez, mas muito mais do que isso humildade para ver o erro e trabalhar em equipa para dar a volta por cima.Pessoas para o fazer temos , só falta trabalharem umas com as outras.Até lá , vem aí mais um mundial, boa sorte a todos que lá vão estar pois bem precisam dela.
    Provas com as seletivas, mas para selecionar e não para preencher calendário, têm de acontecer mais vezes durante o ano, tendo no meu ponto de vista, que ter um maior peso do que o Brasileiro nos selecionáveis para o mundial.
    Tanta coisa teria de mudar no nosso agility……
    abs

    Ps. Parabéns á Meire pela sua classificação.Toda a sua dedicação durante estes anos foi recompensada.No minimo aproveita ao máximo a experiencia.

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